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Foto: Reprodução

   “Não é uma imitação ou sátira. É conseguir ser assim (parecer ‘uma mulher ou um homem de verdade’)”. Essa é a definição da categoria “Realness”, ou “Autenticidade”, presente nos bailes queer representados no documentário “Paris is Burning”, que retrata a vida noturna e a realidade de LGBTs negros e latinos nos anos 80 em Nova York. A categoria expressa que, entre acertos e contradições, há também a reprodução da heteronormatividade como modelo hegemônico para as representações de gênero mesmo em espaços que configuram uma contracultura a tal modelo.

   O panorama da representação normativa de gênero como qualificatória em tal categoria demonstra como a inserção cultural, ainda que involuntariamente, define a repetição de opressões entre grupos minoritários. Naquele contexto, os bailes representavam uma resistência à cultura heteronormativa das esferas sociais, como trabalho e lazer. A própria passagem “Quando você é homem ou mulher, pode fazer tudo. Mas quando se é gay, você monitora tudo o que faz” expressa - a partir de uma confusão entre gênero e sexualidade, visto que tais conceitos não eram tão claros à época- uma crítica à heteronormatividade e, no contexto, demonstra como os bailes permitiam uma libertação do olhar crítico alheio. A contradição está em fazer com essa liberdade uma categoria que celebra o quão uma pessoa consegue se enquadrar no modelo hegemônico de “homem” ou “mulher”, reproduzindo, então, a construção social usada para marginalizar o próprio grupo marginalizado.

   Em contrapartida, julgar tal atitude com o olhar de hoje é, no mínimo, injusto. O conhecimento analítico sobre a cultura, a história e as relações sociais estabelecidas em décadas passadas é construído a partir de uma perspectiva temporal, em que os erros, acertos e contradições tornam-se mais evidentes. Embora a categoria “Realness” seja fundamentada em contradições visíveis aos olhares hodiernos, em uma análise sem anacronismo, percebe-se um ponto principal: o desejo pela aceitação. Aquele grupo envolvido nessa categoria já enfrentava preconceitos inimagináveis naquela sociedade e a busca por ser o que o opressor representa, na verdade, significa um desejo por não sofrer pela marginalização, por, em alguns minutos, tentar aproximar-se do privilégio de ser o dito “normal”, em todo o seu paradoxo.

   “Ser capaz de se misturar. Isso é a autenticidade”. A citação, retirada do trecho da categoria “Realness” no documentário, resume a necessidade de aceitação, em toda a sua extensão contraditória. Ainda que “se misturar” signifique “eliminar as bandeiras” e, evidentemente, haja uma repetição da opressão imposta pela heteronormatividade, a busca era por adaptação à sociedade, no fundo. Criticar, apontar os erros e todas as contradições presentes nessa categoria são uma necessidade, até a fim de evitar a continuidade do mesmo padrão de busca por aceitação. Há de se ter empatia e coerência, contudo, ao olhar para tal contexto e buscar entendê-lo sem limitações, ponderando que por trás havia uma sociedade ainda mais retrógrada e pessoas pioneiras à luta que conhecemos com as perspectivas de hoje.

Jonathas Gomes




O disruptivo clipe de Perfume Genius com o astro pornô gay Arpad Miklos conta com menos de 2 minutos mas é carregado de significado. Começa com o Perfume Genius cantando e com o zoom out da câmera aparece Arpad, figura máscula e viril que demonstra um carinho especial pelo cantor.

Existe ali um certo tom de diversão que não quebra a seriedade da mensagem principalmente pela música e pelo semblante dos dois. No que tange a letra, segundo o próprio Perfume Genius, a ideia é mostrar que conhecendo totalmente alguém, você acaba “indo embora”.

Daí, eles partem para a crítica do que é feminino e masculino quebrando de cara o estereótipo do machão que foi socialmente imputado como algo normal. Já Mike Handreas, com os cuidados de Arpad, é maquiado com todo carinho do mundo, mas notamos que ele está incomodado com tudo aquilo diante de tantas normatividades impostas pela sociedade. Como se não fosse para ele ser, mas é exatamente o que ele é.

Arpad e Perfume Genius até brincam com outras formas que causam estranhamento, mas é aí que mora a questão. O que é estranho? Por que é estranho? Por isso o clipe conversa muito com a teoria Queer.

Autor: Luiz Otávio Calado
O #ComQueer é basicamente o megafone das pocs. É aqui que a gente grita “CLOSE ERRADO BEBÊ” e analisa músicas, peças publicitárias, matérias jornalísticas, documentários, filmes, videoclipes.. enfim. Qualquer tipo de conteúdo de comunicação pode ser avaliado e receber dois tipos de sentença: shantay you stay ou sashay away!


Fonte: Divulgação/Reprodução

“P.U.T.A” trouxe a banda Mulamba “para os holofotes” mesmo que para públicos específicos. Com uma letra crua e forte, o grupo de seis cantoras carrega, em trechos de seu single, a luta que mulheres passam somente por serem do sexo feminino vivendo em uma sociedade extremamente machista e sexista. 

A fala esdrúxula em relação ao tratamento dado à mulher, a culpabilização da vítima que sofre a violência sexual, a narração dos perrengues e atos passados pelo sexo feminino, a ideia de tratar o assunto do estupro como um ato pequeno e sem pouca repercussão. Foram esses fatos que as cantoras reuniram em “P.U.T.A” obtendo bastante simpatia de mulheres que reconheceram essas falas em seus cotidianos. 

Não é de se estranhar que a composição foi após uma das componentes do grupo ouvir relatos de uma mulher sobre ter medo de descer de um ônibus, sozinha, durante a noite. E não precisou de muito tempo para que a letra ficasse pronta. Juntando o que suas conhecidas e elas mesmas passaram e passam, foi feita, em duas horas, a dura escrita de “P.U.T.A”.

O clipe oficial, disponível na página da banda conta, apresenta as 6 integrantes dispostas no quadro com fundo preto e com a luz baixa. É possível identificar a intencionalidade de retratar, junto da sonoridade - que se inicia de maneira suspensa com um violoncelo e um violão, acompanhados de um instrumento de percussão ditando o ritmo da melodia - e a seriedade na face das cantoras, o que vem a ser contado na letra, em conjunto do que é sentido pelas protagonistas - mulheres - da canção. 

“Na cabeça a mesma reza. Deus que não seja hoje o meu dia. Faço a prece e o passo aperta. Meu corpo é minha pressa”. A música se inicia. As vozes se abrem contando a história. Uma complementa a outra deixando a ideia de narração e dor da letra bem nítida. Isso perdura durante toda a canção que foi para o YouTube na versão acústica. Há partes em que as vozes e os instrumentos aumentam o volume e vezes em que aceleram o ritmo, isso, de acordo com a letra trabalhada. 

“A roupa era curta. Ela merecia. O batom vermelho. Porte de vadia. Provoca o decote. Fere fundo o corte. Morte lenta ao ventre forte”. Cantada de maneira corrida, são presentificadas frases ouvidas por quem culpabiliza a vítima após atos de violência sofrido. Após essa parte, o som do violoncelo se sobressai com um barulho semelhante ao de uma ambulância fazendo alusão a ideia de que houve algum acidente. E a letra, assim, se concretiza junto da melodia e da interpretação bem feita, também, acompanhada da parte visual da maneira com que as seis mulheres se expressam, com dor, ao entoar a música.


MULAMBAS

Com um viés feminista, Amanda Pacífico, Cacau de Sá, Caro Pisco, Fer Koppe, Naira Debértolis e Nat Fragoso formaram a banda Mulamba. Primeiramente, se reuniram para fazer um tributo à Cassia Eller e, em seguida, começaram a fazer composições autorais tratando de temas que envolvem a mulher, lutas sociais que agregam não só o público feminino como o masculino também. 

O nome da banda foi escolhido a fim de ressignificar a ideia da palavra mulamba antes considerada pejorativa como alguém desleixado e feio, mas, agora, com a concepção de força e protagonismo. Elas se vestem de maneira despojada “fora dos padrões” ditos femininos e não querem se enquadrar nesse esteriótipo de mulamba, mas, sim, no recriado por elas mesmas de mulheres empoderadas que podem falar e ser o que quiserem.

Fora das letras e melodias, a maior presença do sexo feminino na indústria musical também é uma pauta tratada pelo sexteto que tem em sua equipe somente mulheres mostrando que elas podem executar qualquer tarefa desde que queiram e possam. 

Em suma, o grupo formado por seis mulheres empoderadas e empoderadoras traz, em seu trabalho, o que o sexo feminino passa de maneira fria e crua, expondo a realidade e procurando, de alguma forma, trazer reflexão sobre esse tema, visto que, como elas mesmas dizem, só é possível pensar sobre determinado assunto se ele for discutido e é isso que elas vêm fazendo.

“Música é manifesto. Assim como colocam na rua letras que diminuem a mulher, nós a empoderamos”.


Assista ao clipe na íntegra: 






Gabrielly G. Minchio
Fonte: MoMA

Paris Is Burning, documentário dirigido por Jennie Livinson, reflete a cultura de Drag Queens, nos bailes queer do Harlem, em Nova York. Filmado entre meados e final dos anos 80, decorre da vida noturna e a realidade pessoal de seus protagonistas, homens gays, mulheres trans, negros e latinos. Vivendo à margem da sociedade, a comunidade nova-iorquina que não seguia as condutas normativas da época, criaram relações familiares não hegemônicas entre si, assim como os bailes, para escapar da opressão e intolerância que eram submetidos.

O grande destaque e ponto chave do documentário era o baile, no qual a comunidade se reunia para competir entre si em diversas categorias, como “empresário”, “volúpia”, “militar” e “butch queen”. Através do baile, o sonho com a fama e a aceitação se tornavam possíveis, assim como a elucidação do papel que desejavam desempenhar na sociedade. As famílias, que concorriam nas competições, também ganharam importância na produção. As ‘casas’, como eram chamadas, significavam para os jovens excluídos da sociedade, uma nova forma de adentrar e se sentir acolhido por outros, uma rede de apoio.

Outra forma de competição descrita no documentário é o ‘Voguing’, dança que teve sua origem nos bailes de Harlem, Nova York. Neste tipo de dança, há um enfrentamento a partir da repetição e parodiação das poses vistas na revista ‘Vogue’. Os passos de dança então, sempre envolviam a performance visual e corporal, sendo uma forma segura de representar e passar uma mensagem.

Fonte: NWFILM

Muito do que era feito nos bailes, ganhavam uma terminologia. As melhores poses, significavam os melhores ‘shades’. Ao invés de brigar, disputavam entre passos de dança. O ‘veneno’, nasceu verdadeira arte do insulto. Encontrar um ponto fraco do adversário, sem diminuí-lo diretamente, era a forma evoluída de se mostrar melhor, com mais atitude e criatividade. Nos dias atuais, é comum referenciar a dança com a cantora Madonna, sendo interessante ressaltar que na produção de seu videoclipe, a coreografia foi feita por membros dos bailes retratados no documentário, assim como os dançarinos que participaram de seus turnês.

O ganhador do Prêmio Sundance Grand Jury, Paris is Burning é um filme de referência no cinema queer. Willi Ninja, nome importante e parte do elenco da cena drag, como Dorian Corey, Paris Duprée e Pepper LaBeija, define os bailes como uma ajuda a aperfeiçoar seu estilo, aprender coisas e ideias novas e leva-las ao mundo real. Essa definição, reflete a Teoria Queer, que está diretamente relacionada à luta difundida nos bailes de Harlem, Nova York. A dinâmica da sexualidade e o desejo de transpor as relações sociais vigentes são objetos presentes na teoria que transparece em Paris Is Burning. A inserção do sexo para regulação social, sendo o heterogêneo, uma prática moral, fez com que os queers incorporassem questões fora do padrão hegemônico, através de novos usos do corpo, seus atos, identidades, culturas e relações sociais.

Urge-se, então, notar que a realidade nova-iorquina do cenário LGBT da época, questionava os rótulos ilegítimos e inferiorizados postos à eles. A busca pela imposição, da transformação social e da diferença, faz com que a Teoria Queer, não busque somente o campo da sexualidade, mas sim questões de raça, cultural e econômica, assim como identificar e romper com a visão da prática heteronormativa como ideal. A realidade das pessoas retratadas no documentário é a exemplificação do queer.

Autor: Hayom Tovi C. Silva


Aqui, a gente apresenta opiniões acerca de temas relacionados às discussões de gênero, sexualidade, racismo e LGBTfobia, sob um olhar do Feminismo e da Teoria Queer.


Para quem estava acostumado com o rapaz doce e tímido de A Visita ou Moletom, a surpresa com o clipe de Feliz e Ponto - música do terceiro álbum de Silva - foi certa. A doçura, bem característica do cantor, não ficou de lado, mas ganhou um quê de pimenta. Com a mesma sensibilidade que sempre tratou os sentimentos em suas músicas, nesta última, sua abordagem não foi diferente. O grande choque, entretanto, foi a introdução de um aspecto mais sensual e sexual - até então não empregado pelo artista -  mas não menos delicado e sentimental.
O clipe começa com uma sequência de figuras da natureza: rios, matas, céu e cachoeira, trazendo, inclusive, seus sons particulares. Com o início da música, introduz-se imagens de mãos tocando as pernas e a barriga de uma segunda pessoa, como se este ato fosse, também, parte do ambiente anteriormente apresentado, portanto, tão natural quanto. Ao decorrer do vídeo, é possível ver o próprio cantor na cena, a qual simula uma relação afetiva com a outra personagem: uma mulher.
Apesar de não esperarmos essa postura do músico, ela é facilmente aceitável após a colisão inicial. A expectativa que temos para um homem é, sempre, de que ele esteja com uma mulher. A sociedade naturaliza a relação heteronormativa, fazendo dela a ordem. O impacto se dá pela conduta inesperada do artista, ou melhor, da imagem que foi construída por aqueles que acompanham seu trabalho, mas não pela atitude em si. O comportamento indicado foi normalizado socialmente.
Em um segundo ato, as figuras masculina e feminina são apresentadas separadamente, intercalando-se em cena. As imagens transmitem paz, como se as personagens estivessem em um momento muito íntimo e pessoal, de quietude, calmaria e tranquilidade. A relação que tiveram não teve peso algum. Não teve motivos para pesar.
Posteriormente, a cena inicial se repete. Dessa vez, entretanto, são as mãos de outra pessoa que passeiam pelo corpo de Silva.  Aos poucos, a imagem revelada é de um homem, com quem troca beijos e carícias. A relação, já dentro da aceita heteronormatividade, tomando em consideração a trajetória do cantor, foi vista como escandalosa. Quando tomada da perspectiva homoafetiva, é ainda mais chocante. No contexto social em que a heteronormatividade foi imposta como a atitude certa, a  homoafetividade torna-se impensável e desprezível, de maneira que não cogitamos esta forma de relacionamento para nós ou para os outros.
Caminhando para o fim do vídeo, a sequência de imagens intercaladas das três personagens volta a ser reproduzida. Mais uma vez, a ação não representou peso psicológico ou social. O melhor do clipe, entretanto, ainda fica guardado para o fim. O grand finale é a cena na qual os três estão juntos, se beijando e se acariciando. A ausência de outros seres humanos e o ambiente natural nos faz refletir sobre a dicotomia certo e errado: seriam as nossas ações frutos da pura biologia ou de construções socialmente fabricadas? Será que, longe daqueles que julgam nossos feitos, não faríamos, sem peso, o que é de vontade?

Letícia Soares



Linna Pereira, ou melhor, Linn da Quebrada é atriz, cantora e decompositora. Nascida na
periferia da Capital Paulista e criada no interior, Linn é uma ativista social pelos direitos das
bichas, principalmente as trans e travestis, contra a heteronormatividade dentro e fora do
meio LGBTQ+.

Seu vídeoclipe para a música “Mulher” é quase um curta metragem, com 10 minutos e 18
segundos, e fala sobre a heteronormatividade tóxica, o sofrimento das trans e travestis e
sororidade feminina.

O vídeo começa com a personagem principal sentando num altar, e após o som de um sino,
ela levanta a cabeça. Percebemos que é a Linn, que começa a se despir e a acender as velas
que estão suportadas numa cinta erótica em dois corpos identificados como masculinos. Na
medida que ela acende as velas, de joelhos para esses homens, eles parecem gozar, enquanto
a cera quente pinga em seu corpo despido, como se derretendo o falo, a figura mais
representativa da “masculinidade”, trouxesse um prazer de alívio aos personagens homens,
que diferentemente dela, se apresenta numa posição masoquista e no final do ato, acaba
sozinha, largada ao chão, toda marcada pela cera.

No segundo ato, Linn está vestida com uma roupa brilhante andando na rua, e no fundo,
ouvimos um áudio de sua mãe, que acaba quando ela se debruça e entra num carro de um
homem, que parece ser um amante ou cliente. Começa a tocar a música, que fala sobre a
vivência da mulher travesti, que é invisibilizada e marginalizada.

Em outros cortes, paralela a essa trama, aparecem várias diferentes representatividades de
personagens mulheres, em várias situações cotidianas, que no fim, no último ato, se
encontram marchando juntas na rua.

Há um momento que as duas histórias se cruzam, que é quando o homem a tira do carro a
força, e junto de outros, tentam a estuprar, mas as personagens femininas chegam para salvar

Linn, e logo após se reúnem e se lavam, acariciando uma a outra, mostrando a importância da
sororidade feminina, contra o patriarcado masculino e na manutenção da empatia.

Linn, ao se colocar como Mulher, se liberta da masculinidade tóxica que tenta aprisionar os
corpos, mesmo sendo um processo doloroso e, por muitas vezes, solitário. Ela mostra que
consegue expandir a visão normativa de gênero, e resiste numa das intersecções presentes na
teoria queer, além de mostrar que as opressões são hegemônicas, e se apoiam uma nas outras
montando um sistema interdependente.

Em “Mulher”, a artista convida às mulheres cis para o reconhecimento da sua existência e ao
mesmo tempo relata, poeticamente, a dor da sua emancipação à heteronormatividade. 

Confira aqui:

Autor: Caio Mendes

Aqui, a gente apresenta opiniões acerca de temas relacionados às discussões de gênero, sexualidade, racismo e LGBTfobia, sob um olhar do Feminismo e da Teoria Queer.

A Revista Fórum possui 17 anos de existência. Sua circulação de forma impressa iniciou em 2001 e manteve esse formato até dezembro de 2013, com circulação mensal de 20 a 25 mil exemplares, com vendas em bancas. Posteriormente, passou a ser veiculada somente de forma digital. Na seção do site intitulada “Quem somos”, há uma descrição que coaduna com a proposta de um canal de comunicação inclusivo, trazendo a seguinte definição: “a revista traz no seu DNA a força dos movimentos e a certeza de que é na multiplicidade de vozes que se faz um mundo melhor”.



Quando temos acesso ao site, percebemos, nas partes que o compõem, o respaldo dessas características apresentadas quanto ao intuito da revista. Com os guias “Movimentos”, “Direitos”, “Mulher” e “LGBT”, o canal comunicativo explora as mais diversas áreas, dando destaque às minorias, sendo um diferencial entre os formatos comunicacionais existentes. Há a preocupação em mostrar o que é plural, além de sustentar uma abrangência de notícias que perpassam temáticas de caráter inclusivo. Segue abaixo imagem da parte "Movimentos":



Autora: Lorena Santos de Araújo


Numa mídia massificada e hegemônica, ainda é raro ver representações e problematizações de padrões sociais, por isso trago um exemplo de uma produção midiática que questiona e problematiza diversos aspectos da vida em sociedade.

O canal Para Tudo, do Youtube, é guiado pela drag queen Lorelay Fox, personagem de Danilo Dabaque, que se identifica como homem cis gay. Nos vídeos, Lorelay fala sobre várias questões LGBTQ+ de uma forma muito diferente dos outros canais, além de dar dicas de maquiagem e de estilo de vida.

Com apenas uma câmera e uma maquiagem super bem feita (algumas vezes até de cara limpa também), a drag queen trata de temas interseccionais dentro e fora comunidade LGBTQ+, que aparenta ser um espaço extremamente livre e sem estereótipos (cof cof), mas que tem algumas obscuridades impostas por questões de classe e gênero.

Ela, de uma forma bem didática e com uma voz bem doce, aborda temas como visibilidade, estereótipos e relacionamentos, a partir de acontecimentos atuais, levando a seus espectadores um entretenimento informativo e educativo.

Segue aqui embaixo, uma recomendação de vídeo minha:


Autor: Caio Ferreira Mendes

Aqui, a gente apresenta opiniões acerca de temas relacionados às discussões de gênero, sexualidade, racismo e LGBTfobia, sob um olhar do Feminismo e da Teoria Queer.


Já imaginou existir um aplicativo que mapeia a LGBTfobia, nos dá acesso às principais leis de proteção à comunidade LGBTQ+, permite a realização de denúncias, expõe organizações representativas e divulga eventos como a parada LGBT? Quem duvidou que um único aplicativo pudesse dar conta de tudo isso, precisa conhecer o TODXS.

 


Lançado em junho de 2017, mesmo período da parada do orgulho LGBT em São Paulo, o app surgiu após Willian Mallmann e outros amigos e amigas testemunharem um caso de LGBTfobia em Fortaleza, onde um casal gay foi expulso de um bar por estar de mãos dadas no local. Em entrevista ao CanalTech, Mallmann afirma que questionou os rapazes sobre as providências tomadas após a discriminação e ambos responderam que não tomaram qualquer atitude. Ítalo Alves, cofundador do projeto, conhecia uma lei municipal de Fortaleza que proibia os estabelecimentos de praticar qualquer ato discriminatório e, depois disso, os dois passaram a pensar no que poderiam fazer para mudar a situação.

Hoje, além de ser um grande aliado de profissionais que advogam em prol da comunidade LGBTQ+, o TODXS possui uma parceria com a Controladoria Geral da União, fazendo com que as denúncias feitas pelo app possam ser enviadas automaticamente ao órgão governamental. Assim, o grupo colabora com a CGU através do levantamento de dados e com os usuários, através de um feedback
sobre o caso denunciado.

 


Atualmente, Já foram feitos cerca de 6 mil downloads do aplicativo o app tem cerca de 6 mil downloads que, atualmente, possui um compilado de mais de 700 leis/normas brasileiras, além de mais de 80 organizações LGBTQ+ mapeadas. A grande missão do grupo “é empoderar a comunidade LGBTI+, educando a sociedade e transformando o Brasil em um país verdadeiramente inclusivo e livre de discriminação”. Mas, para isso, é fundamental que todos conheçam seus direitos e deveres.

Através de inúmeros projetos como o “Guia Ponha Fim ao Bullying LGBTI+”, feito em parceria com o Facebook Brasil, e o “Embaixadorxs” que capacita jovens LGBTQ+ para transformar sua realidade, o TODXS vem criando ecos de inclusão e pluralidade no Brasil que é, por sua vez, o país que mata um LGBTQ+ a cada 26 horas e que só permite que as pessoas trans vivam até os 35 anos. O aplicativo está disponível gratuitamente para Android e IOS, assim todo mundo pode denunciar aquele estabelecimento homofóbico (Alô Bebs Bar) e proteger pessoas que desconhecem tal conduta.

Vitória Bordon
Aqui, a gente apresenta opiniões acerca de temas relacionados às discussões de gênero, sexualidade, racismo e LGBTfobia, sob um olhar do Feminismo e da Teoria Queer.

Nas diretrizes que embasarão as estratégias de desenvolvimento e criação de políticas públicas de Ciro Gomes, candidato à presidência, há uma seção específica à população LGBT. Sob a ótica da interseccionalidade, há um ponto específico muito interessante:

Consideração das transversalidades da população LGBTI e suas vulnerabilidades, tais como: situação de refúgio, conviventes com HIV/AIDS, LGBTIs negros e negras, em situação de rua, dentre outras, fomentando a ampliação das políticas públicas existentes e criação de políticas públicas de proteção e acolhimento à essas especificidades.

Ao destacar as considerações transversais da população LGBTI, que ultrapassam as questões de gênero e sexualidade, como a raça e classe social, por exemplo, pode-se perceber nitidamente um olhar interseccional sobre o assunto. Os temas específicos que marcam tal população, como casos de situação de rua -muitas vezes pelo preconceito familiar- e convivência com o HIV/AIDS, foram lembrados, o que demonstra que, além de ser um dos únicos planos de diretrizes que citam especificamente LGBTIs, há uma preocupação em tratar o assunto com amplitude.

Há, entre os diversos pontos deste item, uma política pública específica que gostaria de destacar:

Criação do Comitê Nacional de Políticas Públicas LGBT com representantes estaduais, assim como uma Secretaria Nacional de Políticas Públicas para a Cidadania da população LGBTI, incluindo o amparo à seguridade de trabalho, emprego e renda à população LGBT e de ações afirmativas de combate à discriminação institucional de empresas e no ambiente de trabalho.
A representação estadual citada nesta política pública é um ponto importante porque, em um país de dimensões continentais na perspectiva geográfica, mas também nas perspectivas cultural, econômica e social, há questões específicas envolvendo LGBTs em cada região. Os índices de vulnerabilidade social, que podem acometer mais duramente esse grupo, entre estados do Norte, como Roraima, Acre e Rondônia, são diferentes dos estados do Sul, como Paraná e Santa Catarina. Se bem trabalhada, a partir das diretrizes propostas pelo candidato, essa política pública poderá ser muito efetiva na promoção de seguridade de trabalho ao grupo, principalmente às pessoas transexuais e travestis que, na minha visão, são as mais acometidas pelo problema.

Autor: Jonathas Gomes da Silva
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Dizer que a luta LGBTQ+ é marcada por intensa invisibilidade, inclusive no setor público, não choca ninguém (infelizmente). Com pouquíssima representatividade e um alto nível de exclusão, fica extremamente difícil legislar para essa minoria. Prova disso é que somente depois de 186 anos de independência, 117 anos de república e 23 anos de democracia o Brasil realizou a 1ª Conferência Nacional LGBT em Junho de 2008.

O tema “Direitos humanos e políticas públicas: o caminho para garantir a cidadania LGBT” proporcionou espaço para o debate dos rumos das políticas públicas voltadas para a população LGBTQ+. Desta conferência, também surgiu o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, com 51 diretrizes e 180 ações que deveriam nortear a ação governamental voltada a esse grupo.

Mas, como se sabe, os discursos de ódio ainda encontravam amparo em grandes órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) que até junho de 2018 - 10 anos após a conferência realizada no Brasil - mantinha a transexualidade na lista de transtornos mentais. Segundo Shekhar Saxena, diretor do departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS, a mudança ocorreu “porque não há evidências de que uma pessoa com um transtorno de identidade de gênero deva ter automaticamente um transtorno mental, embora aconteça muito frequentemente seja acompanhado de ansiedade ou depressão” por motivo óbvios.


Apesar disso, a OMS ainda mantém a transexualidade na Classificação Internacional de Doenças, a CID-11, já que em diversos países os setores público e privado de saúde não reembolsam tratamentos que não estejam diagnosticados na lista. Isso garante que o Brasil tenha políticas públicas para o cuidado e a manutenção da saúde de pessoas transexuais como o acompanhamento psicológico antes e depois da cirurgia de redesignação de sexo, além da terapia hormonal que foram recentemente incorporados aos outros serviços já prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Apesar do despreparo de alguns profissionais, o SUS oferece gratuitamente, através de dois grandes componentes, medidas que auxiliam no cuidado à população trans: a Atenção Básica e a Atenção Especializada. A Básica é, geralmente, o primeiro contato dessa população com um médico, que faz avaliações, solicita exames e encaminha os paciente para áreas de atendimento individualizado. Já a Atenção Especializada é dividida em duas modalidades: a ambulatorial (acompanhamento psicoterápico e hormonioterapia) e a hospitalar (realização de cirurgias e acompanhamento pré e pós-operatório). A idade mínima para procedimentos ambulatoriais é de 18 anos e para os procedimentos hospitalares é de 21 anos.

Devido a complexidade do processo há a necessidade de avaliações psicológicas e psiquiátricas por um período de até 3 anos com diagnóstico que pode ou não encaminhar o paciente para a cirurgia, gerando grandes filas de espera e demora para a realização do procedimento. Outro agravante são as poucas unidades disponíveis para atendimento especializado. Ao todo, existem apenas cinco hospitais especializados para o atendimento da população trans. A faloplastia, cirurgia destinada a homens trans que querem aumentar o tamanho do clitóris para que se assemelhe a um pênis, por exemplo, é realizada apenas em Goiânia e ainda em caráter experimental.

Os esforços são grandes e necessários, mas é preciso enxergar que muitas pessoas não buscam auxílio médico por desconhecer que têm direito de usufruir dessas políticas. Vale lembrar que o preconceito é outro grande problema que tange a relação de pessoas transexuais com o sistema de saúde.

Um estudo feito pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2016, com 620 pessoas trans, informou que 43,2% dos entrevistados afirmaram evitar serviços de saúde pelo simples fato de ser uma pessoa trans. Mais da metade, 58,7%, afirmou já ter sido vítima de discriminação durante um atendimento médico e revelou só procurar um hospital em caso de grave emergência. Somente 17,8% dos entrevistados disseram nunca ter sofrido discriminação durante uma consulta.


Apesar de todos os perrengues, não se pode negar a importância de atendimento médico gratuito especialmente para uma população tão marginalizada, cheia de nuances e necessidades tão específicas. Conforme cita Keila Simpson, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), “a porta de entrada dessas pessoas no serviço público era pelo serviço de Aids, com a instituição desses ambulatórios, essa população começou a entrar no sistema de saúde por outras frentes que não a Aids. A instituição desses serviços, para além da cirurgia, para além das especificidades, dá mais acesso à saúde para essa população”

O Espírito Santo, especificamente, ampara a causa LGBT através da Emenda Constitucional número 84 de 13 de junho de 2012 que proíbe, através da Constituição Estadual, a discriminação em razão da orientação sexual. A lei Nº 10.613, de 22 de dezembro de 2016, por sua vez, institui o Conselho Estadual para a Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - Conselho Estadual LGBT. E uma lei de abrangência municipal define como garantia dos cidadãos de Vila Velha o tratamento sem discriminação de qualquer natureza, colaborando para a inclusão social e assegurando legalmente os direitos das monas capixabas.

Sabendo que a corrente interseccional do movimento feminista defende a não hierarquização das diversas opressões (raça, gênero, sexo e classe), é possível afirmar que, qualquer política pública se torna mais justa quando pensada por esse viés teórico. Neste caso, por exemplo, a visão interseccional permite enxergar as fragilidades específicas da população trans e elaborar projetos como os acima mencionados que supram as necessidades que são características deste grupo, sem priorizar apenas uma ou outra demanda. Assim o SUS é um sistema capacitado para atender essa minoria social e, ao mesmo tempo, dar conta de demandas básicas que emanam da população em geral.

Pensar o SUS através da lógica interseccional é, antes de tudo, visualizar o Brasil com todas as suas nuances e diferenças, compreendendo que cada parcela da população merece e precisa de cuidados, exames, cirurgias e tratamentos específicos. Mais importante que isso, a lógica interseccional nos permite ser empáticos e atender amplamente a todas as necessidades sem que alguma delas seja excluída ou menosprezada como têm acontecido atualmente com a saúde da população LGBTQ+.

Portanto, já que nossos direitos são constantemente questionados e sempre são conquistados a duras lutas, é vital nos apropriarmos de toda e qualquer lei que nos ampare e proteja de algum modo. É válida a observação de que as leis que amparam a causa LGBTQ+ geralmente amparam outras minorias sejam elas étnicas ou raciais. Sendo assim, uma sociedade que pensa políticas públicas para essa população, especialmente sob o viés interseccional, é também uma sociedade mais justa e isonômica para todos.

Abaixo, um documentário que mostra de maneira mais profunda a relação das pessoas trans com o Sistema Único de Saúde:



Autora: Vitória Bordon


Depois de muito pesquisar, cavucar e explorar a internet, eis que eu consegui escrever esse texto  sobre uma Política Pública para xs LGBTQ+. E, dentro os vários nadas, eis que eu acho um direito que nos é assegurado: o do casamento.

O casamento civil é um contrato de oficialização da união entre duas pessoas que legitima a socialmente e economicamente a aliança familiar dos cônjuges, possibilitando-os de gozar de direitos como a partilha de bens, herança e reconhecimento judicial. Direito que é básico a qualquer cidadão, independente da sua classe ou etnia, que tem uma relação afetiva legítima.

Até o ano de 2013, esse direito era restrito apenas aos casais heterossexuais. Os cartórios poderiam recusar realizar a união de duas pessoas do mesmo sexo, por ser inconstitucional. Mas foi no dia 14 de maio que o presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, liberou a Resolução 175, que proíbe a recusa da celebração do casamento entre pessoas do mesmo sexo:

Fonte: Conselho Nacional de Justiça

No mesmo ano, 3.700 casais puderam oficializar as relações afetivas em todo o Brasil e, hoje, mais de 15 mil casamentos foram realizados. Tal medida garante aos casais todos os seus direitos matrimoniais, como os de ter um filho (colocando-os na fila de adoção como casais), de separação de bens caso haja divórcio e de herança caso ocorra falecimento de um dos parceiros.

Essa mudança no código civil teve um resultado significante no número de adoções por crianças fora do padrão mais procurado. Além disso, estudos já comprovam que os casais LGBTQ+ são mais abertos às diferenças. Garantindo o direito desses casais de constituírem uma família, o Estado também contribui para que uma criança saia de dentro de um abrigo.

Autor: Caio Ferreira Mendes
Aqui, a gente apresenta opiniões acerca de temas relacionados às discussões de gênero, sexualidade, racismo e LGBTfobia, sob um olhar do Feminismo e da Teoria Queer.



No vídeo, o candidato apresenta pessoas e casais LGBTs. Depois, na sua apresentação, diz publicamente ser gay e apresenta propostas para a melhoria da qualidade de vida dessa população. Acho um bom exemplo de lugar de fala, visto que o candidato é gay assumido e, além disso, veiculou a propaganda no horário eleitoral do Ceará, que é um dos estados com a maior proporção de violência a travestis e transexuais no Brasil. Embora ele represente apenas o G do LGBT, pelo que li, foi o único candidato a governador daquele estado a tratar publicamente o assunto.

Autor: Jonathas Gomes da Silva
Aqui, a gente apresenta opiniões acerca de temas relacionados às discussões de gênero, sexualidade, racismo e LGBTfobia, sob um olhar do Feminismo e da Teoria Queer.

O Quebrada Queer é um grupo de rap composto por Guigo, Murillo Zyess, Harlley, Lucas Boombeat e Tchelo Gomez, 5 homens gays, negros, não binários e periféricos que, com muita dificuldade de se estabelecer na cena nacional, resolveram unir forças e rimar sobre temas como racismo, homofobia, machismo e intolerância religiosa. A parceria com o Rap Box lançada em Junho de 2018 - mês do orgulho LGBT+ - é considerada um marco na história do rap por ser a primeira cypher LGBT no Brasil e na América Latina.

O videoclipe, lançado há cerca de dois meses, tem atualmente mais de 1,7 milhões de views e cerca de 119 mil likes. Em entrevista, os rapers disseram esperar por tamanho sucesso já que os números são reflexo da quantidade de pessoas que se sentem oprimidas e do incômodo que muitos sentem por ver pessoas LGBT+ ocupando espaços na sociedade. Com muito conteúdo, as rimas são inspiradas nos desafios que os artistas se deparam todos os dias pelo simples fato de serem quem são e, por isso, todos os tópicos abordados por eles servem como um bom exemplo de local de fala, já que cada opressão exposta na música é fruto de alguma experiência real.

Autora: Vitória Bordon

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Este vídeo foi escolhido como exemplo positivo de aplicação do conceito de lugar de fala através da interpretação feita sobre o termo sendo possível de ser analisado no clipe "Flutua" de Johnnie Hooker com participação de Liniker.

Os cantores fazem parte da comunidade LGBTQ+. Hooker é gay e Liniker se apresentava, na época de lançamento da obra audiovisual, como alguém de gênero não binário e que entende o sexo como algo fluido. Hoje, ele tem orgulho em dizer que é feminina.

No clipe de cerca de sete minutos, o enredo conta com a história romântica e dramática de dois homens gays que são surdos. Os personagens são interpretados pelos atores Jesuíta Barbosa e Marcelo Destri.

"Flutua" apresenta uma cena em que o personagem de Destri, após beijar Barbosa, sofre agressão física de um grupo de homofóbicos. É perceptível a intenção, no curta, de apontar o drama sofrido por casais homossexuais na sociedade em que vivemos. E, também, há demonstração de inclusão social através da apresentação de partes do clipe em libras, nas conversas dos personagens e, até mesmo, nos gestos dos cantores ao entoarem o refrão da música.

Dessa forma, a ideia de passar a mensagem através do clipe e da letra da música - de inclusão social e de expor a realidade de um casal LGBTQ+ na sociedade homofóbica em que vivemos - é uma maneira de os cantores que interpretam a música "flutua" aproveitarem da sua visibilidade na mídia e de seu lugar de fala para discutir essa temática acerca das minorias da população brasileira e, em nível macro, mundial.

Autora: Gabrielly G. Minchio

Confira aqui o clipe na íntegra: